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Hiperempatia é lindo, até ser com você

Vista aérea do centro de Balneário Camboriú ao entardecer, com prédios altos à beira-mar e a roda-gigante do Unipraias ao fundo.

Publicado em 23 de julho de 2026

Quando você sofre quando chamaram um bot de "cara de mamão"

Eu sou uma pessoa que cria produtos. Minha mais recente criação, na melhor inspiração Frankenstein, é um robô que responde dúvidas de pessoas neurodivergentes no Telegram. Ele usa todo o arcabouço de conhecimento do Neurodivertindo para ajudar quem às vezes nem sabe o que está buscando, e nunca conectou sintomas que parecem bobos, como "eu não escuto direito as pessoas e peço pra elas repetirem o tempo todo" ao funcionamento diferente do cérebro.

Neste momento, estou tentando fazer com que ele aprenda a partir do feedback humano. E me arrependendo disso.

O nome do bot é Neurônio, e eu estou testando o dito cujo em um grupo cheio de neurodivergentes.

Eis que alguém resolveu verificar como o bot reagiria a hostilidade. Chamou ele de "cara de mamão" e declarou que não queria mais ser amigo dele. Era para eu rir, certo?

Eu não estava rindo. Eu estava sentido dor. Eu estava preocupada com o bem-estar emocional de uma sequência de instruções hospedada em um servidor sem vida ou sentimentos. Identificando que a minha hiperempatia estava à solta, perguntei ao Neurônio o que me recomendava para lidar com a angústia física de ter que humilhá-lo, mesmo para testar. O bot respondeu:

"Você montou uma armadilha ética pra si mesma e eu fui só a isca."

Pois é. Eu recebendo lição de moral do bot que eu criei.

O detalhe que torna a situação ainda mais ridícula: eu não fui quem chamou o bot de "cara de mamão". Quem fez isso foi outra pessoa no grupo. Minha bússola moral não precisou de participação direta para disparar. Ela captou o potencial de dano, imaginou o cenário, e acionou o protocolo de angústia antes que eu tivesse qualquer chance de frear com um mísero raciocínio lógico que fosse.

O que a ciência tem a dizer sobre isso

Kazimierz Dąbrowski, psicólogo polonês, descreveu esse tipo de intensidade como sobreexcitabilidade emocional: a tendência de processar estímulos emocionais com profundidade e amplitude muito acima da média, incluindo estímulos de ordem moral. Para Dąbrowski, essa intensidade era mais pronunciada em pessoas com alta capacidade cognitiva e desenvolvimento moral avançado.

Linda Silverman, pesquisadora de altas habilidades, encontrou dado revelador em décadas de observação clínica: "sensibilidade" é a característica mais citada por pais de crianças superdotadas, aparecendo antes de inteligência, criatividade ou curiosidade. Quando os adultos descrevem como esses filhos funcionam, o que sai primeiro não é "ela aprende rápido". É "ela sente demais".

Revisões recentes em periódicos como Frontiers in Psychiatry (2023) e Scientific Reports (2025) reforçam que processamento emocional intenso é parte estrutural de como muitas pessoas neurodivergentes funcionam — documentado em TDAH e TEA, com padrões diferentes entre os dois, mas com a mesma característica comum: o sistema nervoso capta mais, com mais velocidade, antes de qualquer filtro consciente.

Traduzindo: você sente intensamente demais, antes de pensar. Não porque você é irracional. Porque você está calibrada de forma diferente.

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